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domingo, 4 de setembro de 2011

Análise: Amor A Toda Prova






                O gênero comédia já não existe mais, e há quem argumente que nunca existiu. O que temos hoje na verdade são diversas subdivisões desse tipo de filme, como as comédias de ação, comédias adultas, dramédias (comédias dramáticas) e agora, com a vinda de Amor A Toda Prova (Crazy, Stupid, Love), mais um desses novos gêneros ganha fôlego: a dramédia romântica.
                E estou muito feliz de dizer que, diferente de muitos filmes que não encontram o equilíbrio entre os gêneros que planejam misturar, a obra dos diretores Glenn Ficarra e John Requa (O Golpista Do Ano) acerta em cheio. Consegue ser muito dramática nas horas em que precisa e passa para a comédia com precisão e em instantes, além de tratar do romance como poucos.
                O filme usa a volta na vida de Cal, um homem que acabou de ser jogado fora pela esposa, para fazer uma reflexão intensa e bonita sobre o amor e a busca constante por ele. Com vários personagens que se entrelaçam de formas inclusive inesperadas, vemos praticamente todas as facetas de uma pessoa em busca da outra metade. Temos desde a desesperada de meia-idade até a bem-resolvida e otimista.
                O time de atores encarregados dessa tarefa não poderia estar melhor. Steve Carrel e Julianne Moore, ambos versados em comédias diferentes (ele esteve em Pequena Miss Sunshine e ela em Minhas Mães e Meu Pai), cabeceiam o elenco e fazem um trabalho incrível, que é muito bem acompanhado por todas as outras estrelas como Ryan Gosling, Emma Stone e Marisa Tomei.
                Não assista Amor A Toda Prova esperando uma comédia romântica qualquer, esse filme vai te fazer morrer de rir e quase chorar. É uma experiência verdadeiramente especial, prepare-se para rever um pouco seus conceitos sobre o amor. Mas para os românticos por aí, relaxem, embora passe o filme inteiro com uma visão bem negativa do romance (afinal, nenhum dos apaixonados é correspondido) o filme termina com uma visão bem otimista, mas não muito piegas.

Veredito:
                Com a mesma aura de clássicos modernos como Juno e Pequena Miss Sunshine, Amor a Toda Prova tem boas chances em ficar na memória dos fãs de uma piada inteligente.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Análise: O Rei Leão 3D




Desde aquelas primeiras notas gritadas em uma língua estranha dando o tom ao nascer do sol nos primeiros segundos do filme percebemos que os 17 anos que separam a primeira exibição desse filme até hoje, o impacto de uma das aberturas e uma das músicas mais icônicas do cinema não enfraqueceu absolutamente nada.

Afinal, a mistura de uma das melhores histórias de todos os filmes infantis, uma das melhores trilhas sonoras de todos os filmes (sem especificação) e personagens memoráveis e cativantes desde o primeiro momento nunca perderá a força. Muito pelo contrário. Depois de tanto tempo sem contato parece que o filme melhorou.

É com esse amadurecimento que aproveitamos ainda mais uma das melhores obras da Disney. Seja entendendo melhor algumas piadas e referências (quem lembrava que as hienas comandadas por Scar marchavam como nazistas?), seja realmente absorvendo os ensinamentos de Mufasa, um dos melhores pais do cinema, para seu filho Simba (aquele cena sempre foi emocionante daquele jeito?)


Com isso em vista não sei se seria um filme ideal para as crianças de hoje em dia, talvez seja um pouco violento em demasia para nossa sociedade atual super protetora baseada principalmente em Backyardigans e outros desenhos inofensivos do Discovery Kids. Mas é fato que todos os adultos devem as suas crianças internas um retorno ao mágico reino de Pedra Do Rei.

É claro que nada nesse mundo é perfeito, o 3D, embora realmente convincente em algumas cenas onde as coisas flutuavam, mal fazia diferença nas cenas mais importantes. E a escolha de mostrar apenas na versão dublada (pelo menos aqui em João Pessoa) é errônea já que, nesse caso extraordinário, o maior público são os adultos. Mas todos esses defeitos são mais que compensados com a oportunidade de ver o filme que mais marcou nossas infâncias em belíssima Alta Definição e completamente remasterizado.


2011 está sendo um ano fraco em animação, e talvez isso seja alguma forma involuntária de reverência à aparição do rei das animações. Não sei se isso é bom ou ruim, mas o filme mais emocionante desse ano, na verdade veio de 1994.

Veredito

Assistir O Rei Leão em 3D foi uma experiência emocionante e gratificante que ninguém deveria perder.


domingo, 28 de agosto de 2011

Análise: Planeta Dos Macacos A Origem




Planeta Dos Macacos A Origem foi um filme que não chamou muita atenção quando recebeu a luz verde e que aos poucos, a cada vídeo que saia, foi animando o público, e acabou como um dos grandes filmes do ano. Ninguém sabia que a história da origem do primeiro macaco super inteligente que acabaria mudando a história do planeta poderia ser tão interessante.

Durante o filme vemos toda a vida de César,desde sua infância e seu relacionamento com os personagens de James Franco (127 Horas) e John Lithgow (Dexter) até sua ascensão ao posto de líder da revolução dos símios.

Não só a inteligência e motivações do símio vão mudando e evoluindo ao decorrer de sua vida, como também nossa reação ao mesmo. Na primeira parte do filme, onde vemos sua criação em um lar humano e toda sua ingenuidade de criança, nós ficamos literalmente apaixonados pelo jovem césar e nos divertimos muito vendo sua peripécias.

Conforme ele vai crescendo e ganhado forma e força, ele é obrigado a sair da casa dos “pais” e vai para um lar, onde é maltratado. Nesse momento sentimos empatia, entendemos sua dor e sentimos pena, por alguns minutos é até possível torcer pelo fim da humanidade e supremacia dos macacos.


Então ele decide começar sua revolução. E quando vemos como ele entende a violência da sociedade em que é forçado a viver e começa a subir nos ranks entre os macacos e planejar a sua fuga, toda a nosso amor muda, e sentimos medo. Medo de suas feições que vão ficando cada vez mais sinistras e mostrando emoções sempre mais complexas. Medo do que ele pode, e irá, fazer.

Toda a fantástica história é muito bem reforçada pela tecnologia por trás dos macacos. Andy Serkis (O Senhor Dos Anéis), um dos atores mais especializados em captura de movimentos empresta os seus gestos e expressões ao macaco e tudo é muito bem refeito em imagens computadorizadas muito realistas. Quando lembrei que aqueles animais eram, na verdade, pessoas em trajes especiais percebi como o resultado é literalmente assustador.


Planeta Dos Macacos A Origem é um presente pra quem quer um bom filme de ação, pra quem quer uma boa história, ou pra quem é fã da série (e pra esses tem várias referências divertidas de presente). É a 20th Century Fox, considerada uma das maiores culpadas pela imbecilização dos blockbusters, mostrando que aprendeu a lição.

A única dúvida que resta ao final do filme é se a academia do oscar está moderna o suficiente para reconhecer, com uma indicação à melhor ator, um ótimo trabalho de captura de movimentos.

Veredito:

Assistir a ascenção do chimpazé César foi umas das coisas mais impressionantes que vi no cinema esse ano e não tenho medo de dizer isso.

domingo, 21 de agosto de 2011

Análise: Lanterna Verde





Lanterna Verde (Green Lantern, 2011) esse ano foi sem dúvida um dos filmes com alto nível de expectativa mais escrachados pela crítica e público. Foi tido por muitos como uma das piores adaptações da era moderna de grandes personagens dos quadrinhos, e a reação dos fãs pode ser vista na péssima arrecadação nos cinemas americanos.

Tudo isso fez com que minhas expectativas, que ficaram muito altas depois do vídeo mostrado na feira nerd WonderCon, fossem mais uma vez rebaixadas. Por isso, cheguei no cinema com uma estranha sensação de amor e ódio. Um lado sabia que seria uma péssima experiência baseado no que aparentemente todo mundo vem achando (a média do filme no Metacritc é 39 de 100), e outro lado ainda esperava que algo bom sairia dali.

Sentei no cinema e quando o filme começou me encontrei tensamente esperando chegar a parte ruim. Imagine a minha surpresa quando as luzes acenderam e ela não apareceu.

O filme, claro, está longe de ser perfeito. Podemos perceber que a edição foi terminada as pressas e o roteiro poderia ser melhor. Mas todas as falhas e o mal desenvolvimento de alguns personagens estão longe de serem os erros fatais que algumas pessoas disseram.


Ryan Reynolds (Enterrado Vivo) como Hal Jordan foi uma boa escolha, e Peter Sarsgaard (Soldado Anônimo) está ótimo como o vilão Hector Hammond, que deveria ser o único do filme. Quanto aos outros membros da tropa dos lanternas, Geoffrey Rush (O Discurso Do Rei) e Michael Clarke Duncan (À Espera De Um Milagre) fazem um bom trabalho e se encaixam como uma luva em seus personagens. Pena que só ouvimos suas vozes e muito pouco. Mark Strong (Sherlock Holmes) como Sinestro está beirando a perfeição, como é comum com o ator, mais um que podia ter aparecido bem mais. Só Blake Lively (Gossip Girl) como Carol Ferris pareceu uma escolha duvidosa, mas nada de mais.

Outra coisa que tenho que falar são os efeitos especiais. Pode-se reclamar do que quiser no filme, mas os efeitos especiais estão maravilhosos, de longe os melhores do ano e sem dúvida figurando entre os melhores dos últimos tempos. O plano de Hal Jordan com o sol como fundo é simplesmente lindo.


Talvez por causa dos ótimos efeitos o planeta de Oa, central da tropa, e todas as outras cenas que mostram o nicho mais extraplanetário da trama estão bem melhores que as partes que se passam na terra. O que deixa lugar para expectativas para as continuações, que com certeza, investirão mais nessa parte.

Lanterna Verde pode não ser um dos melhores filmes de super-herói da nossa geração. Mas não deixa de ser um filme bom. Não percam as esperanças pois as continuações com certeza serão bem melhores e a série tem muito potencial. Afinal, nos quadrinhos, Lanterna Verde está entre os melhores.

Veredito:

Pareço estar sozinho nessa, mas gostei do filme, e muito.


sábado, 20 de agosto de 2011

Análise: Professora Sem Classe



Comédia é um gênero já de certa forma manjado no cinema. Conhecemos todas as fórmulas e todas as maneiras para fazer a plateia dar um riso. Comédias verdadeiramente originais praticamente não existem, e se existem, podem ser mais facilmente encontradas na televisão, ambiente com muito mais espaço para experimentação do que o cinema.

Dito isso, Professora Sem Classe (Bad Teacher, 2011) pode não ser original, mesmo sua temática mais adulta se perde dentre todas as outras comédias do ano, mas consegue tudo o que as comédias almejam: fazer rir.

Aqui, Cameron Diaz, que está chegando perto das quatro décadas de existência mas tem ainda muito oferecer (como faz questão de mostrar na cena do lava-jato), faz a professora Elizabeth Halsey, tudo o que uma educadora não deveria ser. Em busca de um marido rico que pague sem reclamar pela vida que ela acha que merece, ela culpa seu fracasso nos seus peitos de tamanho médio e busca, de toda forma possível, os caros implantes de silicone.

O elenco de apoio é simplesmente incrível. Jason Segel, da famosa série How I Met Your Mother, faz o professor de ginástica apaixonado por Elizabeth. E temos várias participações, mesmo que pequenas, de rostos conhecidos da televisão, propagandas e outros lugares. Destaque para John Michael Higgins, coadjuvante de luxo de diversas sitcoms como o diretor do colégio, Jerry Lambert, o ótimo garoto propaganda do Playstation e Eric Stonestreet, em um papel completamente oposto àquele que o fez famoso em Modern Family.

Mas os melhores atores nesse elenco secundário são sem dúvida Justin Timberlake, saindo de seus papeis de garotão mais óbvios para um papel de um puro imbecil (prepare-se para morrer de rir na cena de sexo), e Lucy Punch como professora rival e completo oposto da protagonista.

A única parte sem graça dos personagens coadjuvantes são as crianças, que não passam dos clichês clássicos de todo filme de escola. Temos a patricinha versão miniatura de Cameron Diaz, o garoto sensível aspirante a poeta, a CDF que faz tudo pra agradar os professores, e a boa adição de um sósia mirim de Robert Pattinson, carinhosamente apelidado de “Twilight”.


Com esse bom elenco de apoio e um papel bastante diferente para Diaz, a motivação estapafúrdia da trama acaba se tornando palpável, o que resulta em boas e longas risadas.

Os clichês do final ainda estão lá, na forma das lições aprendidas e epifanias puritanas, mas a personagem, felizmente, continua a mesma mulher perigosa com olhar de ressaca e Louboutins destruídos em cima da mesa. As lições foram aprendidas, mas as atitudes não mudaram.

Veredito:

Ótima comédia, garantia de boas risadas. Definitivamente recomendo. Mas não espere nada revolucionário.

domingo, 3 de julho de 2011

Análise: Transformers O Lado Oculto Da Lua



Transformers 3, junto com Carros 2 é a prova de que ir ao cinema com expectativas tão baixas que são quase abaixo de zero quase sempre resultará em experiências razoáveis. Com um primeiro filme bem ruinzinho, e o segundo sendo provavelmente uma das 10 piores adaptações de qualquer coisa da história do cinema, realmente era muito difícil fazer um filme ainda pior.

O velho ditado é então, verdade, no fundo do poço só se pode ir pra cima. Mas Transformers está longe de ser perfeito, alguns dos velhos problemas ainda existem, por exemplo, algumas coisas ainda não fazem o menor sentido, como, por que é que Sam (o herói) um cara que salvou o mundo duas vezes, foi escolhido como elo entre os humanos e uma raça alienígena, recebeu uma medalha do presidente e tem um aparente dom em conquistar mulheres muito gostosas ainda é o mesmo trapalhão do primeiro filme e ainda não consegue nem um emprego? Ou por que é que quando um Autobot muito antigo volta à vida ele fala com os humanos sem a menor curiosidade pra saber o que são essas coisinhas de carne querendo mandar em alguma coisa?


Somando isso a alguns alívios cômicos pobres e deslocados temos uma formula para um filme medíocre. Mas pelo lado bom, em tudo que Michael Bay perde em desenvolvimento de personagens e história ele mais que compensa nas cenas de ação. Pois se ele pode ser considerado um cineasta fraco nos primeiros quesitos é nas sequencias de ação que ele se mostra um verdadeiro gênio e poucos outros diretores têm seus mesmos atributos.

No terceiro ato, com a cidade destruída, cenas de luta entre os robôs gigantes e em prédios caindo entraram para a história como algumas das mais frenéticas e cheias de ação que o cinema tem a oferecer. E até a história está palpável dessa vez.


Se Michael Bay mantiver sua palavra que esse era seu último filme de Transformers, ele saiu com grande estilo. Transformers 3, assim como Carros 2, são as melhores continuações que saíram esse ano, não por serem em si filmes muito bons, mas por melhorarem consideravelmente seus predecessores.


quinta-feira, 30 de junho de 2011

Análise: Carros 2




John Lasseter tem uma longa vida na direção de Animações da Disney e Pixar, foi dele que veio os ótimos Toy Story e o mediano Vida de Inseto. Mas também é dele a rara mancha no histórico da Pixar, Carros.

Carros foi uma boa idéia e tenho que admitir que por os olhos no para-brisas em vez de nos faróis como geralmente era feito nas outras animações foi genial. Mas nem tudo era verde em Radiator Springs.

Carros foi um filme chato e não tão engraçado que trouxe uma história já manjada e feita várias vezes ao longo dos anos. A história do famoso arrogante que é obrigado a baixar a bola e assim aprende uma lição de humildade, se redime e assim supera seus obstáculos e fica mais rico e famoso ainda, mas agora sem a parte da arrogância já é tão clichê que chega a dar nojo.

Por isso, com o anúncio de Carros 2 eu pensei que a Pixar, que estava indo melhor que nunca depois de lançar três grandes e lindos filmes seguidos, atingiu o inevitável ponto onde as coisas começavam a desmoranar. Afinal, depois do todo só vem a queda, e parecia que a luz de Luxo Jr estava pra se apagar.

Fui assistir ao filme com o único objetivo de ver o curta com os bonecos de Toy Story que tem antes dele, curta que aliás, perdi porque cheguei atrasado. Mas imagine minha surpresa quando o filme acabou sendo bom.


Todas as falhas do primeiro foram concertadas, Relâmpago McQueen já aprendeu a sua lição e pode dar lugar a verdadeira estrela do filme, Mate, o caminhão guincho caipira que roubou a cena no primeiro filme e conquistou o coração de muitos (menos eu, que nunca gostei dele) volta nesse filme que consegue conquistar até os mais amargos (sim, eu comecei a gostar dele).

Dessa vez o caipira entra sem querer numa intriga internacional com uns carros da inteligência britânica à lá James Bond. E é justamente isso que faz o filme tão bom, como Kung Fu Panda 2 provou nesse mesmo ano, filmes de animação tem a capacidade de fazerem cenas de ação bem mais fantásticas, já que não tem que se ater a besteiras como leis da física. Só num filme como esse batidas de carro poderiam ser tão dramáticas como um genocídio e inimigos gigantes podem existir. Se eles colocassem aquele enorme navio cargueiro como o grande vilão do filme em vez de fazer a reviravolta estapafúrdia que tentaram o filme talvez seria melhor, mas está bom como está.


Pois é, parece que afinal a Pixar ainda não atingiu o ponto de deslize de sua carreira, embora não seja nem de longe tão bom quanto Wall-E, Up ou Toy Story 3, Carros 2 não deixa muito a desejar. E conseguiu até me animar pra a chegada de Monstros S.A. 2, outra sequência que julgava desnecessária.



domingo, 1 de maio de 2011

Análise: Deixe-Me Entrar



Pra mim, a história do primeiro livro do escritor de terror sueco John Ajvide Lindqvist, que foi adaptado tanto para o filme também sueco Deixa Ela Entrar (Låt den rätte komma in, 2008), como para seu remake hollywoodiano Deixe-Me Entrar (Let Me In, 2010, no Brasil 2011) é a história de vampiro perfeita.

Isso se dá porque ele reúne duas características que deveriam estar presentes em todos os filmes das criaturas da noite: 1) Violência, principalmente psicológica, um pouco gráfica, mas só quando é realmente necessário; 2) Uma história pesada, nada de tentar humanizar os monstros, sentimentos nobres como o amor podem ser retratados, mas sem deixar aqueles que os sentem bestas;

E são justamente nessas duas que se encontra a primazia do filme, raramente um remake americano de um filme europeu fica tão bom quanto o original, e mais raro ainda é quando esse remake supera seu original, mas foi isso que aconteceu nesse caso.

O filme conta a história de Owen (Oskar, no original) um menino de 12 anos pequeno, pálido, estranho e com dificuldades para se socializar, e por isso sofre bullying todos os dias de alguns valentões na escola. Um dia ele conhece Abby (Chloe Moretz, papel que no original era Eli) uma menina da mesma idade bastante diferente que acabou de se mudar com o que parece ser seu pai. Owen vê em Abby, uma versão feminina dele mesmo, com o mesmo ar estranho e anti-social, a primeira coisa que ela diz é que eles não podem ser amigos, mas o tempo vai cuidar para que eles acabem se apaixonando. Ao mesmo tempo que assassinatos misteriosos começam à acontecer nos arredores.


A diferença mais obvia entre esse e o filme sueco é que os americanos tem muito mais verba para investir em seus filmes, e por isso, as poucas cenas violentas ficam bem mais dinâmicas. Mas onde está a sua virtude também está a sua maior dificuldade, o dinamismo dos filmes americanos acaba estragando uma das melhores cenas do filme, a da piscina, por tentar ser rápida demais ou emocionante demais. Os cineastas dos Estados Unidos em geral não conseguem entender e muito menos reproduzir a beleza de um ângulo estático e sem cortes.

A história também foi vítima do puritanismo de hollywood, que resolveu ignorar por completo o segmento que explica que a menina vampira na verdade foi um menino castrado. Mas isso era de se esperar, afinal o público não reagiria bem de forma alguma.

Tirando só esses dois aspectos, o filme não deixa nada a desejar, e é sem dúvida, uma das melhores histórias de vampiro da década, dando um banho no novo culto de vampiro-bonitinho que se formou nos últimos anos.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Tá Na Hora Das Coisas Mudarem

Tudo o que é bom, melhora

Pois é gente, por motivos que não são necessários aqui vou mudar um pouco a dinâmica do blog, para o deleite dos meus 0 leitores.
Andei pensando e acha que esse formato que ando utilizando de apenas postar análises e artigos bem longos e trabalhosos não está agradando ninguém, muito menos a mim que também não gosto de passar horas escrevendo posts que ninguém vai ler mesmo.
Então vou passar a posts mais curtos e sucintos, mas em compensação mais frequentes, com posts novos todos os dias. Andei pensando e bolei 8 tipos de posts, os quais ficarei recorrendo.

Dicas:
O máximo de vezes possível vou tentar usar esse tipo de post para dar dicas de várias coisas para vocês, pode não se resumir à filmes, afinal, também curto muito Séries de TV, Livros, Quadrinhos e Música, mas lembrem que o foco desse blog (assim como da minha vida) é o cinema.

Estréias da Semana:
Toda sexta, o dia em que os cinemas de todo o país deixam de lado os antigos e abrem as portas para as novidades de hollywood. Resumos de Sinopses e minhas expectativas para cada estréia.
Notícias:
Claro que não vou ficar mandando notícias a toda a hora aqui, afinal, é pra isso que existem sites mais profissionais como o Omelete. Mas toda a vez que sair algo realmente interessante e importante de mencionar, vai aparecer por aqui.

Imagem da Semana:
Um dia da semana, provavelmente a segunda feira será presenteado com uma Imagem da Semana Nova, que passará o resto de seu mandato no topo da barra direita do blog.

Análises e Artigos:
É claro que vocês não achavam que eu ia calar a boca pra sempre, afinal eu não me aguento e sempre tenho que vomitar minhas opiniões sempre que posso, mas calma, esse tipos de posts vão continuar com a pouca frequencia que tinham. Mas Análises como essa (http://robsontravassos.blogspot.com/2011/04/o-fim-do-exploitation.html) e Artigos como esse (http://robsontravassos.blogspot.com/2011/04/eu-sou-o-numero-4.html) estão longe de acabar.

BuldyingHype:
Poucas semanas antes da estréia, vou fazer esse post com uma só determinação, construir as expectativas de vocês para com a próxima atração. Já fiz um post protótipo desses. Não é exatamente como planejo fazê-lo, mas dá pra ter uma idéia. (http://robsontravassos.blogspot.com/2011/03/sucker-punch-e-o-perigo-do-hype.html)

Uma Semana De Trailers:
Exatamente o que o título diz, uma post com todos os trailer interessantes que saíram essa semana, e é justamente esse que vai estrear essa nova vida do Blog.


Espero ter agradado a todos com isso, qualquer idéia ou crítica, pode falar comigo.

domingo, 3 de abril de 2011

Análise: O Fim do Exploitation




Ou como explosões constantes podem arruinar um filme

Um homem escapou do inferno e agora está procurando o líder de uma seita satânica que matou a sua filha, sequestrou o seu neto e pretende sacrificá-lo para trazer o inferno para a superfície da terra. No caminho esse homem, Milton, conhece uma bela jovem que o acompanha por algum motivo, enquanto é perseguido pela polícia e por um demônio que planeja arrastá-lo de volta para o inferno.
Essa é a sinopse de Fúria Sobre Rodas (Drive Angry, 2011), filme que se encaixa perfeitamente no genêro do Exploitation, um filme que se aproveita de certos elementos de "baixo calão" para atrair o público, como Sexo, Violência, Carros poderosos e Efeitos especiais.
Fúria explora todos esses quesitos, e como um típico filme do gênero sacrifica todos as outras partes importantes de um bom filme, como a história. A trama desse filme não faz sentido, e os produtores estão pouco se lixando para esse fato, eles preferem se preocupar em produzir imagens grotescas, explodir carros e fazer várias referências sexuais.
As atuações também são o mesmo do que você esperaria, Nicolas Cage mostrando que realmente não sabe escolher um papel e Amber Heard faz a bonitinha que por um motivo estapafúrdio está seguindo o herói em suas aventuras. William Fichtner (Prison Break) é a único alívio do elenco, com uma divertidíssima interpretação.
No final de tudo, Fúria Sobre Rodas parece a concretização de um sonho molhado de um adolescente americano que escuta Rock Classico enquanto se masturba para um poster de uma mecânica gostosa (como essa aqui).
Eu não sou um fã do cinema exploitation, e também não sou do cinema trash ou do cinema b, e acredito que os fãs desse gênero, embora muito dedicados, estão diminuindo. Filmes do gênero estão fazendo cada vez menos sucesso, como foi com os recentes Grindhouse (de Robert Rodriguez e Quentin Tarantino) e Arrasta-Me Para o Inferno (de Sam Raimi), provando que mesmo bons diretores cedem ao fracasso quando investem nesse tipo de filme.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Análise: O Patriota e a Espiã



Ou como o
patriotismo pode
arruinar um filme.














Dois filmes estrearam esse final de semana com uma coisa em comum, embora abordada de forma bastante diferente: O amor pelos Estados Unidos.
Invasão do Mundo: A Batalha de Los Angeles (Battle: Los Angeles) conta a história de uma tropa de marines que são mandados para resgatar alguns civis em um bairro prestes a ser bombardeado no meio de uma invasão alienígena.
Jogo de Poder (Fair Game) fala sobre uma espiã da C.I.A que é traída por seu próprio governo por tentar revelar ao público as mentiras contadas por Bush e outros porta-vozes como justificativa para a invasão no iraque (aquela velha história das armas de destruição em massa que nunca existiram).

A Batalha de Los Angeles aborda a bravura dos americanos em combate, não deixa de mostrar como os soldados são capazes de fazer atos heróicos sem pensar duas vezes, mesmo que isso ponha sua vida em risco, e não hesita em sempre tocar aquela música de super-herói toda vez que alguém se levanta para atirar em algum inimigo. Sem contar com aquela cena no começo em que o Sargento principal do filme saúda a bandeira americana no crepúsculo, coisa de fazer qualquer americano chorar.

Nada disso foi um elogio... muito pelo contrário.

Jogo de Poder é praticamente o oposto, não precisa de aliens e uma invasão à nosso planeta para mostrar como as pessoas que comandam essa terra tão amada por todos fazem coisas indignas desse sentimento. O filme mostra toda a investigação sobre as ADMs do iraque, e a descoberta de que elas não existem, o que não impediu a ação do presidente. Quando o marido da espiã encarregada dessa investigação resolve falar a verdade, o casal tem que pagar tendo a identidade da agente revelada para o público numa matéria de jornal, um ato mais que covarde.
A oposição dos dois filmes também se encontra na direção, enquanto Jonathan Liebesman (Batalha de Los Angeles) se concentra na ação, Doug Liman (Jogo de Poder) faz uma direção mais séria, o que não significa que não pode empolgar quando interessa para o roteiro.
Liebesman procura uma edição mais no estilo documental para seu filme, assim como em Distrito 9, mas ele não tem a destreza do sul-africano, ele força seus ângulos em busca falha por dramaticidade, e as suas cameras parecem estar fugindo dos personagens em vez de enquadrá-los corretamente. Em certo momento ele chegou a filmar um soldado de trás de uma lápida, e não foi só uma vez que ele deu zoom na televisão, nesses momentos não conseguia sentir nada além de vergonha alheia.
Liman, por outro lado, consegue dar uma aula de como usar uma camera-na-mão (aquele recurso usado em filmes como Cloverfield e Bruxa de Blair). A cena em que um iraquiano foge do som de tiros dentro do carro com seu filho e até cenas mais tensas dentro dos escritórios da central de inteligência tem mais poder que as cenas de guerra do outro filme.


Existe diversão para quem quiser arriscar assistir a Batalha de Los Angeles, quem gosta de cinema de guerra, cenas de ação e não é muito exigente deve se divertir, afinal os efeitos especiais e de som são fantásticos, mas se quiser um filme de verdade, busque Jogo de Poder.

domingo, 6 de março de 2011

Análise: Gnomeu e Julieta




Releitura da clássica tragédia de Shakespeare, Gnomeu e Julieta (2011) pode ser visto como uma espécie de mistura de Toy Story com boa literatura, a questão de seres normalmente inanimados que ganham vida quando os humanos estão distantes e partem para muitas aventuras está lá, mas dessa vez envolta de uma história clássica.
A história todo mundo conhece: Dois jovens amantes estão loucamente apaixonados, mas não podem revelar esse amor pois suas famílias estão em guerra. Dessa vez da comuna de Verona nós acabamos nos jardins de duas casas conjugadas na Verona Road onde moram um senhor e uma senhora de meia idade, ela uma Montague e ele um Capuleto. Ambos com uma estranha fixação por gnomos de jardim.
A obra se mantém fiel (na medida do possível) à peça que a inspirou, algumas partes famosas estão lá, como os discursos da mãe de Gnomeu e de Julieta, mas claro que passados pelos filtros infantis para que eles fiquem mais engraçados e fáceis de entender.
É óbvio que, por ser um filme infantil, a parte da tragédia seria deixada de fora. Os gnomos conseguem o seu final feliz (se isso foi um spoiler, peço perdão) mas não sem passar por partes surpreedentemente fortes da obra original. Nada para emocianar tanto como a cena da fornaça em Toy Story 3, mas, mesmo assim, eram coisas que eu não esperava.

Fora isso o filme mantém a fórmula dos filmes de animação de sucesso, sem piadas que insultam sua inteligência, algumas referências e gags para agradar os mais velhos e personagens secundários que roubam a cena. E nesse caso realmente investiram muito nessa última parte, não temos só um coadjuvante adorável, mas 6: Shroom, o cogumelo mudo; Benny, o pequeno e engraçadissimo gnominho azul; Nanete, a sapa intrometida do lado vermelho; Panaldinho, o flamingo de plástico tagarela; e os pequenos coelhos e os pequenos gnomos vermelhos que servem como os peões de cada lado.
Não devo fingir que a maior parte do sucesso de Gnomeu e Julieta se deu por causa da trilha sonora feita por Elton John. Músicas clássicas foram utilizadas, o que com certeza levará um sorriso aos rostos dos fãs quando "Your Song" começar a tocar (e de forma bem inesperada), outras músicas foram revisitadas como "Crocodile Rock", que agora ganhou a adição dos vocais de Nelly Furtado, versão que ficou simplesmente deliciosa, e ainda ganhamos músicas inéditas, vide o dueto de Elton John com Lady Gaga em "Hello, Hello", provando que essa amizada rende bons frutos musicais.

Quanto às vozes, nós brasileiro perdemos mais uma vez. Com a bem mais ampla distribuição de cópias dubladas, nós somos forçados a trocar um elenco que contem James McAvoy, Emily Blunt, Michael Caine, Jason Statham, Patrick Stewart e até Ozzy Osbourne por Daniel de Oliveira, Vanessa Giácomo e Ingrid Guimarães. Uma coisa é certa, eles não são tão ruins na dublagem como Luciano Huck, mas sem dúvida, se você tiver acesso à uma versão legendada, não pense duas vezes.
Gnomeu e Julieta é uma ótima animação, e sem dúvida é a que tem melhor trilha sonora. Levante a mão quem quer ver Lady Gaga e Elton John ano que vem se apresentando no Oscar.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Análise: AVATAR

Você conhece Avatar. A menos que tenha estado enterrado em baixo de dúzias de pedras escondido numa caverna você sabe que o novo filme de James Cameron foi o filme de maior sucesso comercial da história da humanidade.
Da mesma forma que você sabe que do mesmo jeito que esse filme tem muitos fãs ele também tem muitos críticos, e a maioria usa do mesmo argumento: O filme é previsível.

Antes de responder essa crítica, vamos dar uma olhada na história. No futuro, os homens já sabem viajar no espaço. e com a conquista da última fronteira eles descobriram uma pequena lua chamada Pandora, cuja geografia em muito se assemelha a da terra.
Esta lua desperta muitos interesses nos humanos, uma parte deseja destruir Pandora (assim como fez com a terra) para juntar Unobtanium, um material que vende por 20 bilhões o quilo. Já outro grupo, composto principalmente por cientistas, desejam estudar a fauna e flora do lugar, assim com seus nativos, os Na'vi, seres humanóides azuis de 3 metros de altura.
É aí que entra nosso protagonista Jake Sully, seu irmão gêmeo, Thomas, era um cientista trabalhando no 'Projeto Avatar' (embora nunca tenha sido chamado por esse nome no filme) em que mistura-se DNA humano e Na'vi para criar um ser híbrido que possa sobreviver à atmosfera e ambiente hostis aos homens. Esses híbridos seriam comandados remotamente pelos seus "pilotos" humanos por meio de transferência de consciência.
Bem, Thomas morre em um assalto, e seu irmão, confinado numa cadeira de rodas, é chamado para substituí-lo, já que ninguém quer perder um investimento grande como este. Jake assume um Avatar, sai andando pela floresta, encontra Neytiri e é integrado no clã de seu povo, enquanto ele se encanta cada vez mais com a cultura dos Na'vi, um de seus chefes quer se aproveitar desse nível de intimidade para descobrir maneiras de expulsá-los de suas casas e pegar mais Unobtanium.

Agora às críticas: o filme é previsível. Sim, sem sombra de dúvidas. Só de ler a sinopse e assitir o trailer não é preciso ser um gênio para descobrir o final. E conforme o filme progride mais óbvias as coisas se tornam [SPOILERS começam aqui] assim que Jake encontra Neytiri a primeira vez você que eles vão ficar juntos, assim que aparece aquele pássaro vermelho gigante você sabe que Jake vai domá-lo, assim que eles tentam transferir permanentemente a consciência da doutora Grace você sabe que eles vão fazer o mesmo com Jake [SPOILERS terminaram aqui] , sim o filme é previsível, a história nada mais é do que Pocahontas contada de outro jeito.
Mas qual é o problema disso? Porque um filme não pode ser simples? e devo lembrar do ótimo filme de 2001 Jogo de Intrigas (O) uma reimaginação moderna da clássica peça de Shakespeare Othello, qualquer um familiar com essa história sabe o que vai acontecer, mas em casos como esses não importa que rumo a história tome, o que importa é o mundo em que ela acontece.

E o mundo de Avatar é fantástico e (para o ódio dos críticos) complexo.
Volte um pouco o texto e dê uma olhada na minha sinopse do filme, ela tem 4 parágrafos, e eu usei apenas o último para contar a história, precisei de três para descrever o mundo em que ela se passava. James Cameron não poupou esforços para fazer de Pandora o mundo falso mais crível de todos.
E isso se mostra nos detalhes, em cada pedaço de planta, cada árvore. Cada animal, seja ele voador ou terrestre vive e respira como o mais real dos homens. Cada mosquito que passa pela tela tem sua própria fisiologia e anatomia. James Cameron invetou uma religião, uma cultura, um idioma. A riqueza de detalhes é tão grande que é impossível não se apaixonar por pandora.
E é claro que tudo isso não seria tão impactante caso a qualidade da produção não fosse boa. Mas, por sorte, os méritos técnicos do filme são os maiores. O mundo é cheio de cor e vida, as expressões nos rostos de cada Na'vi é real, cada músculo é animado, e mesmo quando os seres de computação gráfica dividem a tela com atores filmados, o efeito não perde sua realidade, pelo contrário, é quando você vê Neytiri por a mão no rosto humano de Jake que você pensa que ela tem que ser real, que nenhum computador poderia criar uma imagem com tanta perfeição.


O filme estreou pela primeira vez dia 18 de dezembro do ano passado, e minha análise só esta sendo postada agora. Isso é porque essa semana estreou por tempo limitado e só em salas 3D a edição especial estendida do filme, com 8 minutos de cenas inéditas.
Quem não teve oportunidade de assistir ao filme no cinema, ou que não pode vê-lo em 3D na vez que foi, indico que não percam essa chance. Mas pra quem já assistiu, os únicos atrativos são as cenas extras. Vamos à elas:
No total, os oito minutos se dividem em 6 novas cenas além de extensões de poucos segundos a cenas já existentes, a primeira: mais exemplares da fauna local, durante o primeiro sobrevôo de Jake por pandora. a segunda: quando eles descem na floresta pela primeira vez, antes do encontro com o Titanoteres, Jake, Norm e Grace visitam os restos da escola onde Grace ensinava inglês aos Na'vi. a terceira: uma cena de caça, logo depois que Jake domina seu Banshee Voador. a quarta: a famosa cena de sexo de Jake e Neytiri, onde eles fazem uma ligação. a quinta: um ataque dos Na'vi contra os humanos, com vítimas. e a sexta: Jake fazendo as pazes e sacrificando Tsu'tey o segundo líder do clã.
Cada uma dessas cenas, sem exceção, fazem um ótimo trabalho em trazer novo fôlego ao filme, fazendo valer mais um ingresso para quem já assitiu. E para os fãs do 3D de "coisas jogadas na sua cara" a nova cena de caça é um banquete.
Fiquei surpreso como, mesmo vendo o filme pela quarta vez ainda consegui me surpreender com a beleza de pandora, não me canso de viajar para esse mundo, e mal posso esperar pelo Blu-ray edição especial de colecionador, que contem o filme com 15 minutos de cenas extras.

NOTA:
Avatar: 10,0

P.s.: Tenho um professor que infla o peito para dizer que James Cameron é um louco porque em uma entrevista ele disse que "os Na'vi tem muito o que nos ensinar", e como foi ele quem criou os Na'vi é ele quem deveria ditar as novas regras do mundo. Espero que todos que leiam esse blog compartilhem do meu sentimento quando eu digo que tal crítica, de tão absurda, nem deve ser glorificada com uma resposta.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Análise: O Inimigo Agora é Outro

O grande sucesso de 2007 Tropa de Elite deixou muita gente chocada, a atitude badass, bandido-bom-é-bandido-morto foi tida como novidade para muitos, filmes violentos já eram comum no cinema nacional, vide Carandiru e Cidade de Deus, mas pela primeira vez a violência era mostrada do lado certo da lei, com o Batalhão de Operações Especiais subindo o morro e matando toda sorte de traficante.
3 anos se passaram e Tropa de Elite voltou, e posso dizer que o filme não poderia ter tomado rumo mais inusitado.

Fato: a segunda aventura de Capitão (agora Tenente-Comandante) Nascimento é muito menos violenta e trás menos ação, a primeira cena pode levar a crer no contrário, mas não se deixe enganar, as grandes batalhas deste filme são travadas com palavras.
Como diz o subtítulo o inimigo agora é outro, e também é a forma de combatê-lo, Tropa 2 deixa os morros e parte para os prédios públicos do governo do Rio de Janeiro, se no primeiro filme o vilão era o traficante conhecido como o Baiano, na sequência Deputados e até o Governador entram como antagonistas.

Nascimento saiu do Bope, mas isso não funcionou e ele teve que voltar, agora no comando ele e Capitão André Mathias entram para cuidar da situação caótica que tomou conta da penitenciária de segurança máxima Bangu I, lá, eles fazem o que sabem melhor, atiram primeiro e perguntam depois. Quem não gosta desta atitude é Fraga, ativista dos direitos humanos e maior crítico do BOPE.

Em ano de eleição uma matança num presídio é catástrofe, e o governador queria que alguém pagasse por isso, como a população está do lado de Nascimento, este foi promovido para Sub-Secretário de Segurança, responsável por todas as escutas, sobrou para Mathias que foi expulso do BOPE e voltou para a polícia militar. Enquanto isso, Fraga é eleito deputado, junto com o Secretário de Segurança e o âncora de um programa de televisão de muito sucesso ao estilo Datena.
Em seu novo cargo, nascimento leva a Tropa de Elite a patamares nunca antes alcançados. A Tropa se transformou numa máquina de guerra que eliminou o tráfico em quase toda a zona oeste do rio, mas em vez de acabar com a corrupção, isso só fez os policiais corruptos perceberem que eles podem ganhar muito mais do que aquela "mesada" dos traficantes se eles tomassem conta da comunidade, criando assim as Milícias, que receberam apoio dos governantes que gostavam dos votos que viam das áreas dominadas.

O que o filme perde em ação, ganha em história. É claro que Nascimento não pode simplesmente juntar um grupo e atirar na cara do governador, todas as cenas de ação do filme juntas devem ser do mesmo tamanho dos primeiros minutos do primeiro filme. Esse filme também não tem tantas partes que podem se tornar bordões do povo brasileiro como no primeiro, com exceção de algumas frases exageradíssimas como "Cada cachorro que lamba sua caceta", "Quer me foder, me beija" e "Ele se acha o pomba das galáxias" duvido que a juventude fique repetindo frases do filme incansavelmente Brasil afora como foi no primeiro.
Embora possa estar exagerando e provavelmente até forçando uma comparação, mas vejo Tropa de Elite 2 como um Batman - O Cavaleiro das Trevas brasileiro. O primeiro filme foi ótimo e fez muito sucesso, mas o segundo trouxe uma história verdeiramente épica e magnífica, que vai continuar na minha mente por muito tempo.
A ação pode ser menor, mas o filme é muito mais tenso, a cada nova cena, a cada novo acontecimento, o espectador está com o coração na boca. José Padilha definitivamente nos trouxe um dos melhores filmes do ano.

NOTA:
Tropa de Elite 2: 10,0

domingo, 17 de outubro de 2010

Análise: O Escafandro e a Borboleta

Já faz algum tempo que quero começar um novo tipo de post, fazer Top 5's é divertido, mas chega a cansar, então aqui estamos, no primeiro Post do tipo "[Necessário]". O que isso quer dizer, você pode se perguntar. Bem, esse tipo de post vai fazer referência à obras que você simplesmente PRECISA conhecer, sejam elas livros, filmes, séries de tv, quadrinhos, jogos ou bandas, você tem que conhecer, e garanto que não vai se arrepender.
Não consegui pensar em obra melhor para começar do que O Escafandro e a Borboleta.
Jean-Dominique Bauby, era um famoso jornalista e escritor frances, editor da revista Elle do mesmo país, até que, no dia 8 de dezembro de 1995, sofre um gravíssimo acidente vascular cerebral que o deixa com a rara condição de Síndrome do Encarceiramento, que é quando todo o seu corpo fica paralizado, mas as faculdades mentais permanecem intactas. Jean-Do, como era chamado pelos mais íntimos, passou a se comunicar apenas piscando o seu olho esquerdo.
Para este fim foi desenvolvido o seguinte sistema: o emissor cita o alfabeto (em ordem de frequência das letras na lingua francesa) para Bauby, e ele pisca quando chega na letra que ele deseja, e assim, letra por letra, são formadas palavras e frases e aí por diante.
E foi desse jeito que Bauby (lentamente) escreveu o seu livro, onde nos banhava com memórias, sonhos e descrições de sua vida no hospital. Como ele próprio diz, o seu escafandro se tornava menos opressivo e sua mente tomava vôo como uma borboleta. Tudo na sua nova vida era relatado em mais um capítulo de seu livro: o ócio dos domingos, as memórias de suas várias viagens, suas idéias para uma peça que planejava escrever baseada em sua atual situação, a Cinecittá (uma parte do hospital que era tão bela que o lembrava de cenários de cinema), as visitas de seus amigos, seus sonhos e etc.
Além de seu olho duas coisas não estavam paralisadas, também diz em certo ponto, sua memória e sua imaginação, graças ao primeiro ele podia relembrar de como ele era bonito, charmoso, e com uma boa vida, lembra de seus três filhos, a quem dedicara seu livro, lembra de sua ex-esposa, e de barbear o seu pai e do pecado que planejava cometer contra a literatura (reescrever O Conde De Monte Cristo). Com sua imaginação ele poderia sair para jantar nos melhores restaurantes do mundo, beijar a Imperatriz Eugénie e "realizar seus sonhos de criança e abições de adulto"

O livro é maravilhoso mas é o filme que chama mais atenção. A Direção pesada de Julian Schnabel pode ser difícil para quem assiste, mas quem aguenta recebe em retorno uma das melhores experiências cinematográficas da década. Schnabel passa os primeiros quarenta minutos do filme nos mostrando o ângulo de Bauby (interpretado por Mathieu Almaric, como sempre, ótimo) na mesma posição de seu olho, só vemos o seu rosto torto em momento avançado do filme, não por coincidência, quando o personagem decide parar de ter pena de si mesmo.
Schnabel leva qualquer tipo de metáfora a outro nível, e não só o escafandro e a borboleta do título, o degelo ártico e até fotos de Marlon Brando entram na dança de símbolos e interpretações e resultam num filme inesquecível. Esses momentos tem seu ponto alto quando saem os diálogos e o filme passa a ser narrado por Bauby, são passagens dos livros e até mais, que unidos as mais diversas imagens fazem desse filme o mais próximo que o cinema chegou de pura poesia.
É uma pena que o verdadeiro Bauby não viveu o suficiente para ver sua obra se tornar num filme, e nem mesmo para aproveitar o sucesso de seu livro, pois morreu apenas dez dias após o seu lançamento, em 9 de março de 1997, aos 44 anos.

NOTAS:
O Escafandro e a Borboleta (Livro): 9,8
O Escafandro e a Borboleta (Filme): 10,0